Domingo, Março 30, 2008
Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008
Dark Spirits' House - A casa dos mil segredos
This is a collection of tales from the mind of Bruno Ramos that tell of pain, suffering, crime, and much much more. Read and enjoy each dark tale from the first to the very last. This is truely the right collection for anyone who enjoys mistery and and anyone who loves dark tales. Read from the viewpoints of a man that teaching a way of dying without pain or suffering. "The Death is your partner, it's your friend" - He says to us. Read "Dark Spirits' House" and read many other tales contained within this blog.
Capítulo I
"A trilha dos desenganados"
Terça-feira, Fevereiro 12, 2008
Contos fantásticos - Nuances de terror
11/02/2008 - 00h09m
Sábado, Janeiro 05, 2008
O Galileu




Black Novel - Seven Spirits
Os sete espíritos
Introdução
A história aqui narrada fomenta a discussão entre os diversos modos de ver os fenômenos da vida. Para além do olhar laical, uma simples fronteira se abrirá diante dos nossos olhos. Atravessá-la é um desfio. Não leve consigo a sua mala de preconcepções! As sombras são reproduzidas no contraste com a luz. Chegue mais perto! Não deixe o medo te afastar! O texto é apenas um portal. Entre por ele! O seu espírito te guie! Não voltes para trás. Com certeza, voc~e vai chegar a algum lugar...
Maio de 1973, noticia-se o desaparecimento de Diego Gonzales, chefe do esquadrão anti-sequestro do Estado que, na ocasião, havia conseguido desmembrar uma quadrilha criminosa vinculada a grupos de guerrilheiros internacionais. Vinte anos mais tarde, na pauta há mais de um mês, o congresso nacional rejeitava votar emendas que eram do interesse da segurança pública e que, indubitavelmente, poderiam consolidar os atos de Diego frente a temível globalização do terror. Desde então, ocorreram muitas iniciativas de busca a sua libertação, contudo, nas esferas do poder e das grandes oligarquias, o assunto foi descendo as páginas do jornais até que não despertasse mais o interesse das pessoas. O governo não deu, desde então, grande relevância aos fatos que poderiam trazer luz a verdadeira causa de seu desaparecimento. Deixou-se, assim, transparecer uma maior preocupação em se acautelar nas declarações referentes ao assunto. Deste modo, o tempo tornou-se outro antagonista de Gonzales, acabando , após investigações, por ser tido como morto.
Nos anos que se seguiram, como um vírus, as suas idéias de ativista nato para os assuntos da segurança e da liberdade do povo enfraqueceram. Muitas iniciativas naquela época evocavam o seu discurso sempre inflamado em favor de uma política inclusiva e eficaz do combate ao crime. Era mais do que um socialista em seus discursos. O arrefecimento do seu ideário notava-se também nas obras que antes eram vinculadas a seu pensamento. Intelectuais, peças teatrais, filmes, além de muitos livros só ganhavam publicidade e voz na mídia se não tivessem nuances de criticidade e engajamento nas questões políticas e sociais. O simples cumpridor de suas atribuições, num país mergulhado em inúmeros casos de corrupção, já não era tido como um herói nacional, um ingênuo idealista, um Dom Quixote deslumbrado com seus próprios ideais, um qualquer afinal.
A despeito de tudo isso, no ano de 1999, a estudante de jornalismo, Marta Alves Contrera, chegando ao final do seu curso na faculdade, pesquisava uma temática para a estruturação da sua monografia. Olhando os arquivos da BBC e os manifestos dos líderes internacionais pela libertação de seus respectivos povos, descobriu-o sem , entretanto, achar, naquele momento, uma fonte confiável e bem delineada sobre seu propósito e maior sonho: A paz. Por esse tempo, a mídia servia o estado, seu maior patrocinador. Dada a cumplicidade destes poderes tão comum em países subdesenvolvidos, Marta chegou a pensar em abandonar sua pesquisa. Ela não era muito moderada em seus julgamentos. Queria o melhor e o maior destaque na divulgação do seu trabalho. Não cabia modéstia entre os seus atributos pessoais. Ao observar as figuras históricas da nação, percebeu que nenhum contemporâneo teria um papel tão significativo à história do país, nem opusera-se às estruturas e sistemas do poder, tirando-lhes a estabilidade ou ameaçando-lhes, veementemente, por uma causa idealista e libertária. Achegados ao poder, os políticos não abririam mão das oportunidades fantásticas que o legislato lhes havia trazido. Corruptos, alinhavados nas redes do narcotráfico, do contrabando, e das submissões a uma forma de poder nefasto, desconheciam as conseqüências e o conjunto de mazelas que suas decisões acarretariam com o tempo. E foi essa inaptidão para o conformismo e alienação que fez de marta uma leitora sagaz dos documentos, jornais e revistas daquela época que cobriam o assunto.
Depois de perceber que não haveria um contemporâneo de seu país que se destacasse pelo amor, patriotismo e cujo ideal fosse apoiado nas lutas sociais e do direito a liberdade, Marta, aos 22 anos, que até há pouco nada conhecia da história deste vulto nacional, somou todos os esforços na procura de elementos que denotassem o sentido da luta que Diego Gonzales travou com os de sua época. Apesar de muitas fontes terem cunho valoroso, a maioria fazia parte de um contexto literário, envolto de suposições, metáfora e declarações ufanistas. Percebera, então, que as melhores fontes seriam os seus familiares vivos e os documentos que recebiam o crivo de sua assinatura, agendas, certidões, anotações etc. Dentre as referências ligadas ao ministério da segurança pública e do estado, nada de muito concreto, inclusive, nos relatórios que datavam do período do seu desaparecimento. Os representantes daquela gestão omitiram-se nas ações que poderiam trazer à tona a verdade do seu desaparecimento. Instigada, nossa amiga, aos poucos tornava-se, além de pesquisadora uma excelente detetive. Deixou o seu alojamento universitário para viajar rumo ao interior do país para buscar as origens do nosso suposto herói.
Qual não foi sua surpresa ao deparar-se com a figura de uma bela estampa da Senhora de Guadalupe à porta do primeiro endereço que vira registrado numa das biografias do seu objeto de estudo. Lá era a casa de Consuelo Cuastamota Gonzales, avó cega de Dieguito, como, é claro, ele era conhecido de seus familiares. Apesar de idosa e cega, Dona Cuastamota tinha uma lucidez invejável.
À porta:
- Ô de casa! Alguém poderia me atender?
Apoiada numa pequena e improvisada bengala, em passos bem lentos e arrastados, Dona Consuelo chega às apalpadelas bem próximo da garota.
- Tem o cheiro da meninice, de uma flor de formosura, tem pezinho bem pequeno e apressado e um certo sentimento de culpa, morador do seu passado... A menina quer água?
- Nossa!!! Nem me apresentei e a senhora já me parece tão íntima!!! Brinca de fazer adivinhações?
- Nem tudo que vejo são coisas de que gosto. Melhor ter os olhos para ver como a mocinha um mundo de ilusões... Eu, minha querida, só vejo a verdade. Por isso tenho dores no peito e o desgaste na alma. Sou cega, como vês, mas por dentro sei de coisas que você, com seus olhinhos brilhantes, nunca poderia vislumbrar.
- Continua!!! Sinto-me tomada por um grande interesse pelas coisas que a senhora diz. O que mais poderia dizer de mim?
- Que a sua curiosidade é uma faca de dois gumes... A menina tem que saber manuseá-la, senão vai se ferir e a muitos... Essa é uma dor que dói demais.
- Ai! Que medo!!! Porque a senhora diz estas coisas? Está me assustando...
- Ô minha clara! Beijei seu espírito em sonho quando ainda dormias. Sabia que você viria. A Mãe virgem de Guadalupe te trouxe até aqui. É ela que vai te proteger!
- A senhora sabe disso; como? É muito bonito o que a senhora diz, como posso me fazer acreditar neste sonho da senhora?
- Chega de perguntas, dê-me a sua mãozinha e leve-me até a cozinha! Lá eu te farei um expresso e te servirei alguns bolinhos...
Continua...
A revista caia das mãos, entregue ao mais profundo dos sonos... O abismo das idéias o levara ao mundo da inconsciência quando lia mais um artigo especulativo e sensacionalista destas publicações pseudocientíficas tão comuns em bancas e livrarias de nosso país. Imerso numa vasta e flutuante nebulosidade, assistia aos vultos através da relativa transparência possível diante de seus olhos. Em meio àquela atmosfera surreal, cenário que o remetia à divina comédia de Dante, observava-os andando tortos, em círculo, parecendo-lhe como loucos, totalmente ausentes, vazios de alguma verdade. Um murmúrio em comum... Procuravam por algo... As nuvens eram aos poucos transpostas pela curiosidade do nosso personagem.
Ânsias, ignorâncias e um mesmo sincronismo nas passadas, todos miravam o longe, o distante, o nada. Em certo ponto daquela viagem transcendental mirava os olhos naqueles zumbis e vendo-os imersos no obscurantismo de suas idéias vislumbrou como um enxame moscas em redor deles. Mais próximo um pouco, viu tratarem-se não de moscas ruidosas, porém formas inexatas e diferenciadas, algumas bem minúsculas, mantendo aqueles seres ali aprisionados no seu universo egocêntrico. Diante da lente de seus olhos, percebeu que essas formas eram inúmeras letras, símbolos, formas gráficas como pontuação, acentuações, palavras estrangeiras e expressões desconhecidas como signos lingüísticos de diversos dialetos deste e dos tempos mais remotos. Um vespeiro de palavras, expressões em múltiplas formas.Tomado de certa compaixão, com as mãos tentou erguer a cabeça daquelas pobres vítimas, e como num quadro de horror, assustado, percebeu todo o globo ocular daquela gente carcomido, ulcerado, sem pupilas, sem retina, sem o que e para que vir. Não havia um mínimo de reação ao toque gentil do protagonista deste sonho.





