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Contos das Almas

Eco Literário - Eucaliptos

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Domingo, Março 30, 2008

Uma singela homenagem


O mergulho de Peter Mc. Miller Johnson seria inesquecível; aliás, ele não só seria conhecido como o atleta que mais tempo ficou submerso numa prova de triatlon como também sendo o primeiro que não voltou e nem deixou vestígios. A descida ao mais profundo abismo do pacífico o reteria para sempre no fundo do oceano. Assustador! Fantástico! Inexplicável! Tudo bem, o leitor pode não acreditar, mas o nosso personagem e protagonista está no mundo sobrenatural e lá viu o que todos nós temíamos: a morte.   
Aonde nasce toda a vida?  
De onde originaram todas as coisas?  
Fácil resposta  - conclui Tomas M. Coban Oneill, um pesquisador náutico da costa oeste.  
Sim, lá, nas profundezas dos mares surgiu toda as formas de vida existentes. Refutem o quanto queiram, mas, de fato, a vida surgiu das águas. Você, amigo, surgiu neste plasma biológico.  
Assim, Peter, acidentalmente, viu o que estava oculto. Nas formas intramembranosas da águas férteis deste mar, num misto de água salina e gosma proteica, antes do total naufrágio, suas pupilas enxergaram um misto de sombra, frio e pungência com olhos de peixe...
No "habitat" onde formavam-se todas as espécies que se movem sobre a terra também  nadava de olhos abertos atrás de formas incautas nossa maior antagonista. Ela que forma tsunamis inexplicáveis em busca do seu alimento nas costas de todo o mundo; sim, a mais aterradora personagem que nos confronta rápida e vorazmente no dia-a-dia das grandes metrópolis, uma sutil, as vezes microscópica forma que sobe dos bueiros, esconde-se nas formas triviais, virais, retrovirais do inimaginável microcosmo planetário e que a qualquer pretexto surge instantaneamente nas zonas de grande tráfego rodoviário, aeroviário; enfim, quem nos revezes climáticos, nos terremotos, maremotos esconde rítmica e sonora  sua dança traiçoeira e o desejo de acomodar em nossa carne úmida os seus tentáculos e presas. 
Não será outra que nos abre portas, fecha as cortinas às mínimas composições existenciais? Quem senão ela visita-nos à porta e pede entrada por um gesto simples e suave toque letal?Sim, é ela que nos convence da conveniência de experimentar a isca para enveredarmos nas sendas dos vícios. É ela sim que se oferece a abrigar-nos ao peito quando a tristeza se faz sinônimo de total declínio? É a que se enamora dos que se arriscam a qualquer preço para alcançar metas inatingíveis? Senão não fosse ela quem seria a que espera mais um Peter arriscar mergulhos além de suas forças e psicomotricidade? Quem senão a morte abre seus olhos somente quando alguém os fecha?  
Essa, amigos, tem uma forma humana, uma decrépita, insinuante e bela silhueta. Ela, desde a gênese, uma forma embrionária que espera-nos crescer. Imita-nos a existência, surge conosco bem frente ao espelho, invejou-nos a vida e se compraz em tomá-la mesmo que não seja para si. É quem sempre nos espera, talvez ali, na próxima esquina. Aquela que desde a infância cultivou-nos como plantas para a infalível ceifa, sua mordaz colheita. Se nos quer na maturidade, e nos apressamos, mais dolorosa e tangível, mais tenaz sua mordida, mais fugaz nossa esperança. Como rebentos viçosos, sorvidos a seu apetitoso e obsequioso degustar, de que adianta implorar ou tentar voltar atrás?... Ela tem fome. 
Não vá nadar! Ela manda nas águas do mar... É seu território.   
Assim foi Peter e irão outros mais ao tempero dos anabolizantes, das anfetaminas, das drogas e do esforço em se superar.
Acolhidos por ela, forma tão efêmera, os que eram do barro voltam ao barro.
Aqui fica minha homenagem. A Peter? Não. A quem realmente vence quando a prova chega ao fim; a Morte...

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Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Dark Spirits' House - A casa dos mil segredos

This is a collection of tales from the mind of Bruno Ramos that tell of pain, suffering, crime, and much much more. Read and enjoy each dark tale from the first to the very last. This is truely the right collection for anyone who enjoys mistery and and anyone who loves dark tales. Read from the viewpoints of a man that teaching a way of dying without pain or suffering. "The Death is your partner, it's your friend" - He says to us. Read "Dark Spirits' House" and read many other tales contained within this blog.


A casa dos mil segredos

Capítulo I

"A trilha dos desenganados"

O mapa nas mãos de Lívia não seria melhor pretexto ao erro ou confusão do que nas de Cindy. O passeio era fruto do imaginário das adolescentes criadas com o rigor próprio aos padrões das famílias tradicionais mineiras. Descendo a serra deixavam para trás a capital e a cultura metropolitana. Sabiam que teriam de lidar com várias questões delicadas, como: onde pernoitar, que argumentos usar para justificar a ausência de documentos e dos seus responsáveis, como iriam, por exemplo, evitar que os seus pais soubessem da surpreendente viagem rumo ao interior do Estado?
Não obstante fossem esses os motivos maiores de sua preocupação, acrescentava-se ainda mais emoção ao itinerário pelo qual viam-se guiadas de modo inesperado. Pedro, o colega de classe, apesar de esperto e corajoso, não era, como as colegas, maior de idade e, ao volante do carro, um possante importado retirado da agência do pai, poderia não oferecer a segurança necessária para conduzir os três colegas, Silas, Cindy e Lívia. Tudo em favor do novo, do inusitado... "Pura adrenalina"! - afirmava assim o piloto, achando-se digno da condução de um carro da fórmula um.
Olhavam para trás e o sol descia luzes aos cumes dos montes num aceno de que fecharia os seus olhos para que as criaturas noturnas dominassem o seu reino em seu ocaso. As estrelas não omitiam seus raios, mas não alcançavam mais o chão despido da certeza quanto ao destino dos aventureiros. Apenas o farol alcançava as imagens do caminho que se fechava novamente ao passar do veículo. Lívia, inquieta, mas encorajada pelo afeto que nutria por Pedro sonhava a realização do que deveria ser o seu primeiro encontro. O irreverente Silas não via nada senão ocasião para risos. Ingênuo, queria experimentar ao máximo a loucura daquela liberdade fagueira. Intrépido tomava os dedos ao volante fingindo atrapalhar o amigo.
- Pare com essas brincadeiras bobas, Silas! cresça e apareça, desmiolado!- disse indignada a namoradinha do motorista.
-Ahaahhahahaha! Ela tá com medo! Medo, medo!- Respondeu o brincalhão.
-Ih! Seu trolha! Medo eu? Fui eu quem teve a idéia de virmos parar aqui, seu folgadão! Por mim você não viria. Pedro é que é bobo de trazer um "queima filme" igual a você... Meninão!
-Meninão? ... É mesmo. Me dá de mamar, vai, Mamãe! Upa...Hehehehehe - Desvencilhou do tapa de sua antagonista...
- Você também? Fica quieta aí atrás porque um só já atrapalha muito... Quase dou com a cara no volante... -Continuaram-Parem com essa palhaçada! Nem começamos o roteiro e vocês já tão de briga... - Olhos fixos na estrada, pressentia o mau tempo que se anunciava sobre as longínqüas montanhas alcantiladas do estado. Nunca havia dirigido com mau tempo.
Quando a chuva precipitava com maior incidência sobre o para-brisa, pediu a Silas que localizasse o ejetor de água e o botão que os acionasse.
- Você não sabe, Pedro? Tá maluco?
Todos se entreolharam.
-Nunca dirigi com chuva! Agora vai e olha onde eu aciono, porque já estou com a visão prejudicada. Anda!
-O carro é desses novos. Tá escuro aqui... Eu não tô vendo nada!- inclinou-se sobre o painel.
-Acenda a luz do interior!
-Acendi! Pronto...
-Agora vai e procura, que eu vou diminuir a velocidade.
-Encosta o carro, Pedro! Vai encosta... Eu...
-Anda... Se vir um farol muito alto eu não vou enxergar nada...
-Vamos meninos! Parem com essa balela! Estão assustando a gente...
- Não, aqui não, seu tralha! Olhe do seu lado! Assim você me atrapalha a dirigir...
-Ah meu Deus! Motorista de merda!... É o que você é! Pare aí, seu "iscomungado"... Num tô vendo nada!...
- Num vê que aqui não dá pra pará?... É pura curva e não tem acostamento... Depressa!... A lá!!! Meu Deus!!!
Uma seqüência de gritos... Dizeres... Tudo numa fração mínima de tempo
-Sai da pista, Pedro!Ai!
-Não!
-Ah meu Deus!
-Oh!!!
-Vira!
-Freia!
-A gente vai bater!!!
To be continued...
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Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Contos fantásticos - Nuances de terror

11/02/2008 - 00h09m



Além dos nomes que se eternizaram no universo da literatura fantástica, muitos outros escritores têm contribuído para o gênero em questão. No passado, Guy de Maupassant, um francês, considerado por muitos como o pai do gênero conto fantástico abriría-nos a janela para o mundo do indizível e do inefável. Não só fantástico pela proposta semântica, como no campo do imaginário e da composição ideológica, com toda criticidade , também na diegese e, principalmente, pela dinâmica cronológica do discurso, Machado de Assis em "Memória Póstumas de Brás Cubas" precederia o cinema, adotando a técnica do "flashback" para, assim, narrar a vida pregressa do seu personagem/narrador.Isso é absolutamente fantástico!
Edgar Allan Poe, um clássico da literatura,Julio Cortázar(1914-1984),bem como Horace Walpole, gênio da literatura gótica. Muitos autores elevam o gênero fantástico a um nível além da crítica elitista e fechada a padrões de certa subversão estilística e ideológica. Cito ainda Ann Radcliffe, Bram Stoker, Daphne du Maurier e Stephen King (colaboração de Elza, leitora do blog) entre outros que encontraram múltiplas possibilidades no estilo e que são referência na atualidade. Entre tantos, em destaque, Stephen King, Clive Baker, os quais cativaram e ainda cativam um público cada vez mais disposto à leitura do gênero. O sobrenatural alcança, deste modo, cada vez mais destaque na locação de vídeos e no investimento do mercado filmográfico. Toda essa fenomenologia literária está no discurso que compreende as obras ficcionais. Aí as raízes de uma cultura que tende ao universal. Todos os povos têm suas lendas, crenças, medos e taboos. Nisto a consonância com o folclórico e com o místico. Para deleite dessa geração muitos personagens têm revificado os causos e as histórias antes ditas como subcultura, coisas do além. Elas nos propiciam ambiente para mantermos a tradição da leitura e da contação de histórias. Causos assombrosos... Medo e riso. Nada melhor!
Lê-se mais na adolescência brasileira graças a essa fenomenologia. O que diríamos das trilogias, dos textos e dos filmes. Você assistiu ao filme "Senhor dos Anéis"? Quantos não leram por acaso um Harry Potter? Nessa dinâmica, penso não estar longe a explosão de maior número de aficcionados ao universo dos contos, gênero narrativo que nos dá a experiência das emoções num espaço mais breve de tempo. Sem a demasiada prolixidade dos romances,imagino; logo me emociono e escrevo.

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Sábado, Janeiro 05, 2008

O Galileu











SEJAM BEM-VINDOS!







CONTOS DAS ALMAS!





Black Novel - Seven Spirits

Os sete espíritos

Introdução

A história aqui narrada fomenta a discussão entre os diversos modos de ver os fenômenos da vida. Para além do olhar laical, uma simples fronteira se abrirá diante dos nossos olhos. Atravessá-la é um desfio. Não leve consigo a sua mala de preconcepções! As sombras são reproduzidas no contraste com a luz. Chegue mais perto! Não deixe o medo te afastar! O texto é apenas um portal. Entre por ele! O seu espírito te guie! Não voltes para trás. Com certeza, voc~e vai chegar a algum lugar...


Maio de 1973, noticia-se o desaparecimento de Diego Gonzales, chefe do esquadrão anti-sequestro do Estado que, na ocasião, havia conseguido desmembrar uma quadrilha criminosa vinculada a grupos de guerrilheiros internacionais. Vinte anos mais tarde, na pauta há mais de um mês, o congresso nacional rejeitava votar emendas que eram do interesse da segurança pública e que, indubitavelmente, poderiam consolidar os atos de Diego frente a temível globalização do terror. Desde então, ocorreram muitas iniciativas de busca a sua libertação, contudo, nas esferas do poder e das grandes oligarquias, o assunto foi descendo as páginas do jornais até que não despertasse mais o interesse das pessoas. O governo não deu, desde então, grande relevância aos fatos que poderiam trazer luz a verdadeira causa de seu desaparecimento. Deixou-se, assim, transparecer uma maior preocupação em se acautelar nas declarações referentes ao assunto. Deste modo, o tempo tornou-se outro antagonista de Gonzales, acabando , após investigações, por ser tido como morto.

Nos anos que se seguiram, como um vírus, as suas idéias de ativista nato para os assuntos da segurança e da liberdade do povo enfraqueceram. Muitas iniciativas naquela época evocavam o seu discurso sempre inflamado em favor de uma política inclusiva e eficaz do combate ao crime. Era mais do que um socialista em seus discursos. O arrefecimento do seu ideário notava-se também nas obras que antes eram vinculadas a seu pensamento. Intelectuais, peças teatrais, filmes, além de muitos livros só ganhavam publicidade e voz na mídia se não tivessem nuances de criticidade e engajamento nas questões políticas e sociais. O simples cumpridor de suas atribuições, num país mergulhado em inúmeros casos de corrupção, já não era tido como um herói nacional, um ingênuo idealista, um Dom Quixote deslumbrado com seus próprios ideais, um qualquer afinal.

A despeito de tudo isso, no ano de 1999, a estudante de jornalismo, Marta Alves Contrera, chegando ao final do seu curso na faculdade, pesquisava uma temática para a estruturação da sua monografia. Olhando os arquivos da BBC e os manifestos dos líderes internacionais pela libertação de seus respectivos povos, descobriu-o sem , entretanto, achar, naquele momento, uma fonte confiável e bem delineada sobre seu propósito e maior sonho: A paz. Por esse tempo, a mídia servia o estado, seu maior patrocinador. Dada a cumplicidade destes poderes tão comum em países subdesenvolvidos, Marta chegou a pensar em abandonar sua pesquisa. Ela não era muito moderada em seus julgamentos. Queria o melhor e o maior destaque na divulgação do seu trabalho. Não cabia modéstia entre os seus atributos pessoais. Ao observar as figuras históricas da nação, percebeu que nenhum contemporâneo teria um papel tão significativo à história do país, nem opusera-se às estruturas e sistemas do poder, tirando-lhes a estabilidade ou ameaçando-lhes, veementemente, por uma causa idealista e libertária. Achegados ao poder, os políticos não abririam mão das oportunidades fantásticas que o legislato lhes havia trazido. Corruptos, alinhavados nas redes do narcotráfico, do contrabando, e das submissões a uma forma de poder nefasto, desconheciam as conseqüências e o conjunto de mazelas que suas decisões acarretariam com o tempo. E foi essa inaptidão para o conformismo e alienação que fez de marta uma leitora sagaz dos documentos, jornais e revistas daquela época que cobriam o assunto.

Depois de perceber que não haveria um contemporâneo de seu país que se destacasse pelo amor, patriotismo e cujo ideal fosse apoiado nas lutas sociais e do direito a liberdade, Marta, aos 22 anos, que até há pouco nada conhecia da história deste vulto nacional, somou todos os esforços na procura de elementos que denotassem o sentido da luta que Diego Gonzales travou com os de sua época. Apesar de muitas fontes terem cunho valoroso, a maioria fazia parte de um contexto literário, envolto de suposições, metáfora e declarações ufanistas. Percebera, então, que as melhores fontes seriam os seus familiares vivos e os documentos que recebiam o crivo de sua assinatura, agendas, certidões, anotações etc. Dentre as referências ligadas ao ministério da segurança pública e do estado, nada de muito concreto, inclusive, nos relatórios que datavam do período do seu desaparecimento. Os representantes daquela gestão omitiram-se nas ações que poderiam trazer à tona a verdade do seu desaparecimento. Instigada, nossa amiga, aos poucos tornava-se, além de pesquisadora uma excelente detetive. Deixou o seu alojamento universitário para viajar rumo ao interior do país para buscar as origens do nosso suposto herói.

Qual não foi sua surpresa ao deparar-se com a figura de uma bela estampa da Senhora de Guadalupe à porta do primeiro endereço que vira registrado numa das biografias do seu objeto de estudo. Lá era a casa de Consuelo Cuastamota Gonzales, avó cega de Dieguito, como, é claro, ele era conhecido de seus familiares. Apesar de idosa e cega, Dona Cuastamota tinha uma lucidez invejável.

À porta:

- Ô de casa! Alguém poderia me atender?

Apoiada numa pequena e improvisada bengala, em passos bem lentos e arrastados, Dona Consuelo chega às apalpadelas bem próximo da garota.

- Tem o cheiro da meninice, de uma flor de formosura, tem pezinho bem pequeno e apressado e um certo sentimento de culpa, morador do seu passado... A menina quer água?

- Nossa!!! Nem me apresentei e a senhora já me parece tão íntima!!! Brinca de fazer adivinhações?

- Nem tudo que vejo são coisas de que gosto. Melhor ter os olhos para ver como a mocinha um mundo de ilusões... Eu, minha querida, só vejo a verdade. Por isso tenho dores no peito e o desgaste na alma. Sou cega, como vês, mas por dentro sei de coisas que você, com seus olhinhos brilhantes, nunca poderia vislumbrar.

- Continua!!! Sinto-me tomada por um grande interesse pelas coisas que a senhora diz. O que mais poderia dizer de mim?

- Que a sua curiosidade é uma faca de dois gumes... A menina tem que saber manuseá-la, senão vai se ferir e a muitos... Essa é uma dor que dói demais.

- Ai! Que medo!!! Porque a senhora diz estas coisas? Está me assustando...

- Ô minha clara! Beijei seu espírito em sonho quando ainda dormias. Sabia que você viria. A Mãe virgem de Guadalupe te trouxe até aqui. É ela que vai te proteger!

- A senhora sabe disso; como? É muito bonito o que a senhora diz, como posso me fazer acreditar neste sonho da senhora?

- Chega de perguntas, dê-me a sua mãozinha e leve-me até a cozinha! Lá eu te farei um expresso e te servirei alguns bolinhos...

Continua...


O Galileu


A revista caia das mãos, entregue ao mais profundo dos sonos... O abismo das idéias o levara ao mundo da inconsciência quando lia mais um artigo especulativo e sensacionalista destas publicações pseudocientíficas tão comuns em bancas e livrarias de nosso país. Imerso numa vasta e flutuante nebulosidade, assistia aos vultos através da relativa transparência possível diante de seus olhos. Em meio àquela atmosfera surreal, cenário que o remetia à divina comédia de Dante, observava-os andando tortos, em círculo, parecendo-lhe como loucos, totalmente ausentes, vazios de alguma verdade. Um murmúrio em comum... Procuravam por algo... As nuvens eram aos poucos transpostas pela curiosidade do nosso personagem.
Ânsias, ignorâncias e um mesmo sincronismo nas passadas, todos miravam o longe, o distante, o nada. Em certo ponto daquela viagem transcendental mirava os olhos naqueles zumbis e vendo-os imersos no obscurantismo de suas idéias vislumbrou como um enxame moscas em redor deles. Mais próximo um pouco, viu tratarem-se não de moscas ruidosas, porém formas inexatas e diferenciadas, algumas bem minúsculas, mantendo aqueles seres ali aprisionados no seu universo egocêntrico. Diante da lente de seus olhos, percebeu que essas formas eram inúmeras letras, símbolos, formas gráficas como pontuação, acentuações, palavras estrangeiras e expressões desconhecidas como signos lingüísticos de diversos dialetos deste e dos tempos mais remotos. Um vespeiro de palavras, expressões em múltiplas formas.Tomado de certa compaixão, com as mãos tentou erguer a cabeça daquelas pobres vítimas, e como num quadro de horror, assustado, percebeu todo o globo ocular daquela gente carcomido, ulcerado, sem pupilas, sem retina, sem o que e para que vir. Não havia um mínimo de reação ao toque gentil do protagonista deste sonho.


To be continued...





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Sexta-feira, Dezembro 28, 2007

Contos de terror